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Expo Money 2010

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23 a 25 Setembro
23, 24: 13h-22h / 25: 12h-20h
TransAmérica Expo Center
Av Dr Mário Villas Boas Rodrigues 387 [Mapa...]
Exposição e Palestras Gratuitas


http://www.expomoney.com.br/09/?evt=sao



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BlogCast - o podcast do Ferramentas Blog

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Muito interessante esse "blogcast". Bom material para aprender mais sobre o mundo dos blogs. BlogCast - o podcast do Ferramentas Blog

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Foursquare, o novo queridinho da internet

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30/04/2010 20:04

Número de usuários do aplicativo para smartphones cresceu 500% em 2010. O Yahoo ofereceu US$ 125 milhões pela empresa. O que é o Foursquare, e por que é tão desejado?
Renan Dissenha Fagundes (texto) e David Michelsohn (edição multimídia)

Vadim Lavrusik


SUCESSO
Fundadores do Foursquare e amigos comemoraram em Nova York feriado criado pelos fãs do aplicativo
No dia 16 de abril, cerca de 150 festas foram realizadas ao redor do mundo, todas em homenagem a um aplicativo para celulares chamado Foursquare. Fãs do aplicativo, sem nenhuma relação com os seus criadores, declaram a data o Dia do Foursquare. [A piada é infame: os americanos escrevem 16 de abril "04/16" - 16 é o quadrado (square) de quatro (four)]. No terraço de um edifício em Nova York, os criadores da rede social, com seus 30 e poucos anos, comemoraram o sucesso em um feriado autoproclamado. (Comemoraram também um crescimento de quase 500% em quatro meses.) Mas o que é o Foursquare? Em resumo: é uma rede social baseada na localização física de seus usuários, com elementos que lembram games. Tem pouco mais de um ano de existência e antes de janeiro de 2010 só funcionava em algumas cidades. Agora, é a empresa iniciante mais comentada da web, desejada por gigantes comoYahoo e Facebook, e inevitavelmente comparada ao Twitter em questão de euforia provocada nos usuários e nos investidores.

O Foursquare dá o próximo passo da onipresença das redes sociais no cotidiano e adiciona uma nova camada de informação ao mundo virtual. Uma camada de informação muito importante. Enquanto o Twitter e o Facebook querem saber o que você está fazendo, o Foursquare quer saber onde você está fazendo, em tempo real, direto do seu celular. Informação geolocalizada, tendência dominante nos próximos passos da internet (o Twitter lançou algo similar com o Places, o Google tem o Latitude e o grande concorrente do Foursquare é o Gowalla, além de rumores de um projeto geolocal do Facebook.) Sabendo onde você está, o Foursquare pode se transformar ou em um jogo ou em uma nova - e útil - forma de comunicação (ou nos dois).

Confira no infográfico clicando aqui como funciona o aplicativo.


A principal novidade do Foursquare é a possibilidade de deixar comentários nos lugares visitados. Quando você faz um check-in - isto é: diz para o aplicativo onde está -, por exemplo um restaurante, pode escrever que o atendimento é ruim, que na quarta-feira lota. Pode deixar dicas na página daquele bar em que você vai toda sexta-feira. É uma espécie de pichação virtual; é como se você deixasse comentários escritos nas paredes para os próximos frequentadores. Dicas como esta de Venâncio Filho, sobre uma loja de fotografia em Curitiba: Ótimo local pra comprar eletrônicos e equipamentos de fotografia. Preço bom, aceita encomendas, atendimento atencioso. "Sempre que dou check-in em um lugar novo procuro deixar uma dica. Meu prato preferido no restaurante, o preço de algo que comprei (quando é realmente mais em conta do que em outros lugares), o atendimento e qualidade do serviço (se foi bom ou ruim)", afirma Venâncio, que trabalha como fotógrafo profissonal na capital paranaense.

Ainda há poucos comentários nos estabelecimentos brasileiros, em parte porque não há muitos usuários, mas também por uma falta de costume de deixar dicas úteis. Há muita coisa inútil, boa parte dos comentários são efêmeros, coisas como vai ter um show legal aqui no dia tal. "O brasileiro não tem a cultura de fazer avaliações ou comentários na web", afirma o desenvolvedor Rodrigo Kaveski, usuário do Foursquare. "Por exemplo, na Amazon você acha dezenas de comentários sobre produtos adquiridos, já no Submarino, que é a nossa referência em e-commerce, há pouquíssimos produtos avaliados."

O Foursquare também serve para tirar as pessoas da internet e colocá-las em contato com o mundo real. O programa te mostra quais amigos estão onde você está, ou perto, para que você possa encontrá-los. "No show do Moby no Rio consegui ver quem estava por lá através do Foursquare", conta o blogueiro e profissional de tecnologia da informação Bernardo Bauer, que faz seus check-ins no Rio de Janeiro. O contrário também funciona: o Avoidr é um aplicativo desenvolvido a partir do Foursquare que avisa onde estão seus "inimigos", para que você os evite. "Mantenha seus amigos perto e seus inimigos lá naquela bar", afirma o slogan do Avoidr.

O Foursquare cresce em um ritmo alucinante. Terminou 2009 com 170 mil usuários, passou de um milhão em abril - um crescimento de quase 500%. Deve passar de 3 milhões ou mais ainda em 2010. "Quando você chega a um milhão de usuários pode começar a apresentar pessoas para outras pessoas. Você pode fazer várias coisas interessantes", disse Dennis Crowley, co-fundador do aplicativo. O primeiro motivo para esse crescimento foi que o Foursquare, a partir de janeiro, tornou possíveis check-ins no mundo todo - antes o serviço era limitado a algumas cidades. Depois, em março, durante o South By Southwest (SXSW), festival que une música, vídeos e tecnologia no Texas, o aplicativo experimentou um boom no crescimento - o primeiro boom de crescimento do Twitter, em 2007, também foi durante um SXSW.

Vadim Lavrusik

DESCOLADODennis Crowley, um dos fundadores do Foursquare, vendeu o Dodgeball para o Google e o Google fechou a empresa. Em um ano já querem comprar o Foursquare
Dennis Crowley criou o Foursquare a partir das cinzas de um outro projeto, o Dodgeball. Criado em 2000, o Dodgeball foi o primeiro serviço social móvel dos EUA, uma pré-história do Foursquare. Funcionava através de SMS (o Foursquare também funciona, para quem não tem iPhones, Blackberries e celulares com Android, mas só no território americano) e era bem mais simples. O Dodgeball foi comprado pelo Google em 2005, fechado em 2009 e substituído depois pelo Google Latitude. Junto com um ambiente tecnológico mais propício (smartphones e internet 3G), o que faz o novo serviço muito diferente do antigo é que o Foursquare também funciona como uma espécie de jogo, o que aumenta o interesse no aplicativo. Há o cargo de prefeito, que fica com quem fizer check-ins mais vezes no mesmo lugar. Além disso, quando faz check-ins, você ganha pontos e pode destrancar badges, prêmios engraçados que se referem aos lugares que você visitou. Pizzaiolo, por exemplo, para quem passar por 20 pizzarias diferentes, ou a I'm on a boat, para quem fizer check-in dentro de um barco. O Foursquare criou até uma badge para o Polo Norte - a Last Degree, ou Último Grau em português. O texto do prêmio diz: Parabéns por fazer isso no Pólo Norte! Respire fundo, coloque sua bandeira e tenha certeza de voltar para casa em segurança!. O primeiro a conseguir a Last Degree foi um adolescente de 15 anos, Parker Liautaud, o mais jovem a esquiar até o meio do Ártico.

Junto com o entretenimento, está um modelo de negócios. Para quem é dono de um estabelecimento, as promoções vêm naturalmente: dar brindes para os prefeitos. Com o Foursquare o dono de um bar pode saber quem é o frequentador mais assíduo do seu balcão e dar bebidas de graça para ele. Um programa de fidelidade 2.0. Mesmo com poucos usuários, as promoções já chegaram ao Brasil. A rede de comida italiana Spoleto vai lançar uma campanha na próxima semana pra presentear prefeitos de algumas lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo. "Uma pessoa só vai querer ser prefeito de um lugar que ache bacana", afirma Tom Leite, diretor de marketing do Spoleto. "Você vira um embaixador dos locais que aprecia. O presente é um obrigado à pessoa pela fidelidade." A Perdigão também está usando o Foursquare em uma campanha em redes sociais. (Mais ou menos a mesma ideia, prêmios para prefeitos.)
Em Londres, a marca de calçados Jimmy Choo criou uma caça ao tesouro com a ajuda do aplicativo. Um par de tênis da nova coleção da marca vai fazer check-ins em lugares da moda na cidade e ficar apenas alguns minutos em cada endereço. Quem conseguir pegá-los ganha um par no seu tamanho.

Outra ideia já implementada é a de badges próprias. O Wall Street Journal fez uma parceria com o Foursquare para a criação de prêmios exclusivos para os leitores nova-iorquinos do jornal. A Lunch Box, por exemplo, (que também é o nome da coluna de gastronomia do jornal) só estará disponível para quem for em restaurantes resenhados pelo WSJ. O Starbucks possuiu a badge Starbucks Barista. A prefeitura de Chicago, terceira maior cidade dos EUA, também usa o Foursquare, com dicas sobre turismo e badges exclusivas relacionadas com a história da cidade: como a On Location, para quem visitar cinco lugares de Chicago em que foram filmadas cenas clássicas do cinema [vale a cena do museu do filme Curtindo a Vida Adoidado]; ou a Celery Salt, para quem fizer check-in em cinco lugares que servem cachorro-quente à moda de Chicago. O Foursquare também fez parcerias de badges com a HBO, o History Channel, a Universidade Harvard, o jornal Metro, o New York Times e a Warner Bros.

SAIBA MAIS

Talvez por isso tudo exista tanto interesse em comprar o Foursquare. O Yahoo já fez uma oferta. Segundo o site All Things Digital, o valor oferecido é US$ 125 milhões. Há outros rumores envolvendo a Apple e o Facebook, mas nada que possa ser comprovado. "Nós vamos fazer o que for melhor para o produto", disse Crowley à Bussinessweek na semana passada, afirmando que tudo será resolvido rapidamente. "Eu quero acabar com as distração e voltar para o trabalho."

O problema com a proposta do Yahoo parece ser que a empresa não quer garantir controle total do Foursquare à equipe de Crowley após a compra. Ele já passou por isso - saiu do Google em 2007, dois anos após a venda do Dodgeball. "Crowley já vez uma venda prematura antes e não deveria repetir o feito", afirmou Michael Arrington, editor do blog especializado em tecnologia TechCrunch. Arrington escreveu um texto com o título Não se venda, Foursquare. Não agora. Não para o Yahoo. "O Yahoo é uma má escolha para o Foursquare, pois a companhia tem um histórico de não alavancar as empresas que compra - isso quando elas não desandam de vez."

O blog Mashable, especializado em redes sociais, também é contra a venda. “Querido Fousquare: Essa não é a hora certa para a venda”, escreveu o editor do site, Ben Parr. A opção seria apostar no Foursquare independente. Parr acredita que, com o modelo apresentado até agora, a empresa consiga crescer sozinha. Sozinha, também, é eufenismo. A opção mais aceita é levantar fundos com investidores - e há vários investidores dispostos a colocar dinheiro no Foursquare, uma soma que pode chegar a US$ 80 milhões. Parr acha que é melhor para o aplicativo apostar em um crescimento próprio.

Essa foi a aposta do Twitter. Não se vender, inovar por conta própria. A vantagem do Foursquare é um modelo de negócios muito mais óbvio do que as eternas discussões sobre a monetização do Twitter. Uma desvantagem clara é que o Foursquare precisa de mais tecnologia, precisa de aparelhos de celulares modernos - um impasse para crescer no Brasil, por exemplo, que no Twitter é o terceiro país com mais usuários. E os usuários são muito importantes. Boa parte do que é interessante no Twitter se deve aos usuários, que criaram formas inovadoras de utilizar o serviço. O Foursquare já tem fãs engajados, criando feriados e organizando festas. O que falta: mais pessoas e tempo para criar uma quantidade de conteúdo relevante e deixar de parecer apenas um jogo.


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Marcelo Medici, o personagem corinthiano

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Google lança estatísticas em tempo real para o Blogger

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Google introduziu um painel de estatísticas completo para seu serviço de blogs grátis, o Blogger.

As estatísticas do Blogger exibe o tráfego e fonte de informações para mensagens individuais, e o faz quase em tempo real, mantendo-se os dados históricos também. Além disso, ele acompanha palavras de busca populares que enviam visitantes para o seu blog, e divide o seu tráfego por país de origem, bem como navegador e sistema operacional que seus visitantes estão usando.

Para ter acesso a essa novidade faça o login no painel do seu blog em http://draft.blogger.com/ . Veja que agora aparece o link "Estatísticas"








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Chris Anderson anuncia a terceira revolução industrial

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A Fifa e o uso da tecnologia no futebol

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28/06/2010 10:30

Erros de arbitragem aumentam a pressão para que a entidade adote o uso de replays no futebol
José Antonio Lima, de Johannesburgo
Hassan Ammar/AP
ERRO

Mexicanos reclamam enquanto o árbitro italiano Roberto Rosetti e o auxiliar Stefano Ayroldi debatem o gol irregular da Argentina

O 27 de junho de 2010 talvez fique marcado na história do futebol como o dia em que a campanha para que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) adote o uso de vídeos nos jogos ganhou corpo para mudar as regras do esporte. Em Bloemfontein e Johannesburgo, as duas partidas de oitavas de final da Copa do Mundo foram marcadas por erros flagrantes de arbitragem, que se não influenciaram diretamente os resultados, contribuíram muito para os rumos que as partidas tomaram. E aumentaram o coro para que os replays sejam usados no esporte.

Um dos mais indignados com a arbitragem era o técnico da Inglaterra, Fabio Capello. O italiano, treinador mais bem pago entre os 32 que estão na Copa do Mundo, viu sua equipe, favorita ao título, naufragar diante da Alemanha no estádio Free State, em Bloemfontein. Quando perdia por 2 a 1, a Inglaterra aparentemente conseguiu o empate. A bola chutada por Frank Lampard encobriu o goleiro Manuel Neuer, bateu na trave e pingou dentro do gol. Muito dentro do gol. Todo o estádio viu, menos o árbitro uruguaio Jorge Larrionda e seu auxiliar, Mauricio Espinoza. “Era o momento mais importante do jogo”, disse Capello. “Onde está a tecnologia? Se ela fosse usada, não estaríamos aqui falando sobre esse lance”, afirmou.

Alessandra Tarantino/AP
FOI GOL


O goleiro da Alemanha, Manuel Neuer, olha para a bola, dentro do gol, após o chute do inglês Lampard. O gol não foi validado pelo uruguaio Jorge Larrionda
Por muito pouco, o uso dos replays para auxiliar os juízes não se tornou realidade no jogo seguinte, entre Argentina e México, no Soccer City, em Johannesburgo. Na zona mista com a imprensa, após perderem por 3 a 1, os jogadores mexicanos não conseguiam disfarçar o abatimento. “Ficamos com caras de bobos”, disse o volante Gerardo Torrado. “O gol estava claramente impedido, eles viram e não marcaram”. “Eles” na frase de Torrado são o juiz Roberto Rosetti e o auxiliar Stefano Ayroldi, ambos italianos. Aos 26 minutos do primeiro tempo, eles não viram o claro impedimento de Carlos Tevez (ex-atacante do Corinthians), que fez 1 a 0 para a Argentina. Segundos depois do gol – em um caso de extrema desorganização – o telão do Soccer City mostrou o replay do gol e ficou óbvio para os 84 mil torcedores que a marcação do árbitro estava errada. Os jogadores do México pressionaram o auxiliar Stefano Ayroldi, mas após alguns momentos de tensão, Rosetti manteve o gol. Caso tivesse anulado a marcação, o árbitro italiano teria ferido as regras da Fifa e inaugurado o uso do replay para auxiliar a arbitragem.

No mundo do futebol, reclamações como as de ingleses e mexicanos são chamadas de “choro de perdedor”. Mas essa é uma análise superficial. O goleiro mexicano, Oscar Perez, explicou que a tática de sua seleção era segurar o forte ataque da Argentina até quando fosse possível e, num contra-ataque, sair na frente. “Um gol muda tudo, muda o esquema, porque você tem que atacar e deixa espaços atrás”, disse Perez. “Contra um time de tanta qualidade como a Argentina fica muito mais difícil”, completou. Sete minutos depois do gol de Tevez, o zagueiro Ricardo Osório falhou feio e Gonzalo Higuaín fez 2 a 0 para a Argentina. “Nós nos desorganizamos, nos desorientamos, nos desconcentramos, e é evidente que o segundo gol é produto do primeiro”, afirmou o técnico do México, Javier Aguirre. Com a Inglaterra, o mesmo ocorreu. Após sair perdendo por 2 a 0, a Inglaterra conseguiu dois gols seguidos. Se o segundo, de Lampard, fosse validado, o English Team provavelmente não teria sido surpreendido duas vezes pelo contra-ataque da Alemanha, que construiu assim uma goleada histórica por 4 a 1. “No nível em que jogamos, pequenos detalhem ditam o destino dos jogos”, disse o capitão inglês, Steven Gerrard.

SAIBA MAIS
Os erros de Larrionda e Rosetti devem aumentar a pressão sobre a Fifa para que a entidade passe a usar os replays em lances polêmicos, como já é feito no tênis, no futebol americano no basquete. Os recursos eletrônicos são usados apenas no alto nível dos esportes e não de forma indiscriminada. Desde 2002, a NBA, a liga de basquete da América do Norte, passou a permitir que os juízes confiram se um arremesso foi feito antes ou depois do fim da posse de bola de determinado time. Em 2006, a Federação Internacional de Basquete adotou a mesma regra. No tênis, cada jogador tem direito a desafiar a marcação dos juízes três vezes em cada set. Se o jogador estiver correto, ele mantém o número de desafios. Se o jogador estiver errado, perde aquele desafio. No futebol americano, cada técnico tem direito a dois desafios por jogo e só pode usá-lo em situações específicas. Se estiver errado, o time perde um pedido de tempo.

Em março deste ano, a Fifa divulgou um documento descrevendo sua posição sobre o uso da tecnologia que fica numa linha tênue entre a ingenuidade e completo cinismo. De quatro argumentos levantados pela entidade, apenas um se sustenta, e ainda assim, parcialmente.

O primeiro é o da universalidade do futebol, a necessidade de que o esporte seja praticado sempre com as mesmas regras e equipamentos em todos os níveis. Ao alegar isso, além de esquecer que gramados, bolas, uniformes e chuteiras profissionais são muito mais avançados que os amadores, a Fifa se nega a ver a experiência de outros esportes. Não consta que o número de praticantes de tênis ou basquete tenha diminuído após as ligas profissionais usarem a tecnologia. A Fifa também alega que a tecnologia tiraria o aspecto humano do futebol, mas seria o próprio árbitro o responsável por avaliar o lance. É certo que muitas jogadas continuam duvidosas após muitas repetições, mas bastaria manter a marcação inicial em caso de dúvida. O futebol americano também dá uma lição à Fifa quando a entidade alega que o replay tiraria a natureza dinâmica do futebol. Duas paralisações de 60 segundos por tempo, por exemplo, parecem ser um preço justo por um resultado limpo. O único argumento da Fifa que se sustenta parcialmente é do alto valor da tecnologia. Nos 900 jogos das eliminatórias da Copa, seria inviável implantar um sistema de replays. Mas na própria Copa do Mundo, na Liga dos Campeões Europeus e em muitos campeonatos nacionais seria algo simples.

Após os erros de Jorge Larrionda e Roberto Rosetti, alguns sinais foram dados de que a pressão aumentará muito sobre a Fifa. Nas entrevistas após os jogos, pouco se falou sobre os árbitros, mas sim sobre o uso da tecnologia. O presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, foi apontado como o principal responsável pelos erros por diversos comentaristas e um analista no Canadá chegou a chamá-lo de fóssil por não aceitar o uso dos replays. A campanha ficou tão grande em favor da adoção da tecnologia que a casa de apostas britânicas William Hill reduziu de 7/2 para 5/1 a probabilidade de que a Fifa use os replays na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. No mundo do futebol, o consenso, que não inclui a Fifa, é de que errar é humano. E de que deixar os erros acontecerem é absurdo.

O mundo está errado. A imagem acima é "clara". A FIFA está certa.


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